
Ministro Gilmar Mendes usa a máfia como referência de lealdade
A declaração mais grave da sessão extraordinária do STF nesta terça-feira, 15, partiu do ministro Gilmar Mendes. E não tratou de leis ou da Constituição. O magistrado escolheu a máfia como referência ética ao defender um colega “eventualmente envolvido”.
“Não se pode admitir, mesmo um colega [Alexandre de Moraes] que esteja eventualmente envolvido, não pode se submeter a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde. Já disse isso em outros momentos, até a máfia tem ética. É preciso ter decência”, afirmou Gilmar ao atacar o ministro André Mendonça.
Sem dúvida, essa foi a fala que mais marcou a sessão de ontem. É tão absurda quanto reveladora. Quando um ministro da mais alta Corte do país usa a máfia como referência de lealdade, ele não protege a instituição — expõe a sua degradação moral.
A fala não pode ser tratada apenas como excesso de retórica. Ao recorrer à “ética da máfia”, o ministro inverteu valores: a investigação virou vexame, a cobrança por explicações foi chamada de covardia e a proteção entre colegas apareceu como sinal de decência.
A máfia protege os seus. A Justiça deve investigar com independência, ainda que o envolvido ocupe um dos cargos mais poderosos da República. Usar uma organização criminosa como parâmetro moral dentro do Supremo expõe uma visão assustadora sobre o exercício do poder.
Diante de milhões de brasileiros, Gilmar não demonstrou qualquer constrangimento. Sua declaração acabou resumindo a cena que o país assistiu: quando a toga se fecha para proteger os seus, até a máfia passa a servir como régua moral. (blog do Luís Pablo)
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